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O tamanho da imagem dos filmes – de volta ao Kinetoscópio

Autor de diversos trabalhos sobre empresas e tecnologia atual, negócios e envolvimento com a sociedade, o historiador e professor Randall Stross decidiu voltar no tempo e publicou no ano de 2007 uma biografia sobre o empresário Thomas Edison denominada “O Mago de Menlo Park: Como Thomas Alva Edison inventou o Mundo Moderno”.

Edison tem seu nome ligado a diversos inventos, entre os quais o cinema. Mas, nesse caso, muitos não sabem, mas ele foi o responsável não pelo invento em si e sim por dar a sua parcela de contribuição ajudando a aperfeiçoar algo que já vinha sendo desenvolvido a alguns anos.

No ano de 1889, antes da intervenção de Edison, já existiam filmadoras, ainda que bastante limitadas: o francês Marey (Étienne-Jules Marey), cientista estudioso da fisiologia, havia criado uma câmera para estudo do movimento, capaz de registrar 12 frames em um segundo. Na verdade essa era não só a velocidade de captura (frame rate) mas também a duração completa do filme, que não possuía mais do que 12 frames. Mesmo assim ele efetuou vários estudos com ela, registrando o movimento de uma grande variedade de seres vivos: insetos, pássaros, répteis, seres humanos e muitos outros. É dele o famoso estudo que mostrou como os gatos caíam sempre da mesma forma ao atingirem o chão.

Já havia também, nessa época, o que é considerado por muitos como o primeiro filme da história ou, pelo menos, o primeiro que sobreviveu e pôde ser documentado e restaurado, um “curtíssima-metragem”; com somente 2.11 segundos denominado Roundhay Garden Scene. Filmado também em 12qps, mostra quatro pessoas caminhando em um jardim em Leeds, na Inglaterra, realizado pelo francês Louis Aimé Augustin Le Prince, considerado por muitos como o pai do cinema.

Nesse ano de 1889, a limitação dos 12 frames de duração total dos filmes desapareceu quando o fotógrafo britânico William Friese-Greene patenteou uma câmera que funcionava a 10fps mas utilizava tiras maiores de película, agora, perfuradas. Seu invento, chamado chronophotographic camera, foi noticiado pela imprensa e William enviou um recorte da notícia para Thomas Edison, nos EUA.

Nessa época, Edison era dono de uma empresa que mantinha um laboratório de pesquisa em diversas áreas do conhecimento tecnológico e havia construído o Kinetoscope, do grego kineto (movimento) e scopos (para ver). Na realidade ele havia concebido a idéia e participado de algumas etapas de seu desenvolvimento, mas foi um de seus assistentes, chamado Dickson, quem de fato transformou a idéia em realidade.

Edson já era, na época, o que hoje pode-se ver em grandes empresas de tecnologia, onde uma criação na verdade tem a participação de muitos assistentes e colaboradores, como foi por exemplo Steve Jobs, com suas idéias sendo desenvolvidas por diversas pessoas sob seu comando e orientação. Na época, essa pulverização não havia atingido obviamente tal grau, de forma que muitos estudiosos atribuem de fato a William Kennedy Lauren Dickson o mérito de trazer à realidade o Kinetoscope ou Kinetoscópio.

Esse aparelho era, na verdade, uma máquina de exibição de filmes, mas como, se não haviam filmes propriamente ditos? Na verdade, os filmes eram montados, em um trabalhoso processo, através de fotos individuais…

Com o tempo e como resultado do aproveitamento das idéias de Marey, William e outros, a empresa de Edison desenvolveu uma câmera para alimentar os filmes usados no Kinetoscópio. Esta câmera, patenteada em 1891 foi considerada a primeira filmadora, no sentido como a conhecemos hoje.

Até essa época no entanto, mesmo já havendo filmadoras e um processo de exibição, esse processo era individual e não coletivo: não haviam ainda as chamadas salas de projeção de filmes como conhecemos hoje.

E é exatamente esse o aspecto destacado por Randall Stross em seu artigo para o The New York Times. As pessoas pagavam seus ingressos para, em uma sala com diversos aparelhos (os Kinetoscópios) olharem pelo visor localizado no alto de cada um e assistir as imagens em movimento, em loop contínuo. Algo parecido com os locais onde hoje existem máquinas de jogos, em que cada pessoa joga em uma máquina, isoladamente, na maioria dos casos. Ou seja, tratava-se de uma experiência individual. E, na época, era assim o conceito de cinema. Apesar de lentes que aumentavam um pouco a imagem vista, elas eram ainda muito pequenas e os realizadores desses filmes não tinham muito que se preocupar com questões estéticas como hoje (profundidade de campo, por exemplo).

Foi então que o cinema foi para as paredes: o americano Charles Francis Jenkins criou para isso o Phantoscope e mais tarde os irmãos franceses Lumiére o aperfeiçoaram.

Desse momento na história para frente, a experiência de se ver um filme tornou-se muito mais imersiva e também um evento “social”, desde o público assustado com as imagens do trem “entrando” pela sala de projeção com L’Arrivée d’un train en gare de La Ciotat dos Lumiére até hoje, quando as pessoas choram, gritam e riem na platéia.

Randall diz em seu artigo que hoje esse ciclo aparentemente está fechando-se: a experiência de se ver um filme, devido à sofisticação da tecnologia voltou a ser uma experiência solitária: pequenas imagens em um laptop, um tablet ou um celular. A conveniência aumentou enormemente, mas perdeu-se a experiência da imersão, voltando-se em muitos casos a visualização de uma imagem não muito maior do que a que os antigos viam nos Kinetoscópios.

No entanto, excetuando-se a experiência da convivência em uma sala com outras pessoas rindo, gritando e chorando (e muitas vezes com ruídos diversos de pessoas comendo ou conversando com seus pares ou em celulares..) experiência essa que pode, em alguns casos, potencializar a sensação de determinada piada ou efeito, não é muito diferente da experiência solitária em telas pequenas com fones de ouvido. Para dizer melhor, a limitação que se tem aqui é evidentemente a da imagem. Por outro lado existem hoje recursos (óculos especiais) que permitem imersão total, não só em 2D como em 3D também e junto com os fones de ouvido, permitem uma experiência sensorial única, mas são restritos em quantidade e abrangência quando se pensa no imenso público que assiste filmes, em salas coletivas ou em suas casas.

Por mais que uma sala de cinema tente oferecer essa sensação, não deixará de poder “lembrar” ao expectador onde fica a saída de emergência ou mesmo a localização de cada degrau da escada, através de sinalizadores luminosos. Ou mesmo, em salas com péssimo isolamento acústico, ao deixar entrar o áudio do filme da sala do lado, os ruídos da tempestade do lado de fora ou de pessoas agrupadas perto da porta de entrada / saída, muitas vezes deixada inadvertidamente entreaberta.

No entanto, se considerarmos que isso tudo faz parte da experiência de se ir ao cinema e que parte do público se divide entre telas pequenas e a dos cinemas de fato, aparentemente as duas realidades conviveriam em paz.

A questão é que Randall traz outra reflexão: como diz o diretor John Bailey (ASC – American Society of Cinematographers), se olharmos para os grandes clássicos de Hollywood das décadas de 30-40 veremos que as cenas em plano aberto predominam em sua maior parte, com raros close-ups. No entanto, depois da chegada da TV e agora, com as telas pequenas dos dispositivos móveis, estamos vendo cada vez mais close-ups.

Se as cenas em close-ups predominam ao longo do filme, quando se quer fazer alguma cena mais dramática tem-se que recorrer ao uso dos close-ups extremos e isso mostra uma mudança na estética geral utilizada nesses trabalhos. Com o crescente uso cada vez maior das telas pequenas para se ver filmes, os produtores estão-se adaptando a esse público, mudando a estética de seus filmes para que eles se pareçam bem nessas telas.

Segundo John Belton, professor de cinema na Rutgers University, pode-se dizer, sem dúvida, que estamos vendo um filme em um desses aparelhos. Mas, segundo ele, isso não é cinema.

Podemos no entanto, colocar como contraponto que, havendo opções, em tela grande e em tela pequena, ainda que estejamos assistindo exatamente o mesmo conteúdo e ainda que sua estética esteja ou não modificada de modo a favorecer este ou aquele meio, estamos nos divertindo. A conveniência veio para ficar e a tela grande cada vez agrega mais recursos, fora de casa ou em casa, com os sofisticados home theaters, com custo cada vez mais acessível. A verdade parece apontar para o fato da diversidade de opções de acessibilidade tender a superar a rigidez estética das antigas produções.

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