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Como fazer uma boa captura do som – parte I

Você trabalha com eventos e está de “malas prontas” para sair para uma gravação externa: a apresentação dos alunos de um curso de teclado, em um restaurante. Obviamente você não está indo ao local pela primeira vez (está?) – uma das regras de ouro para garantir bons resultados em uma gravação é a visita antecipada ao local. Nela você terá a oportunidade de verificar e checar vários ítens que poderão, conforme o caso, comprometer o trabalho ou então exigir um maior grau de improvisação na hora da gravação, o que sempre deve ser evitado. A improvisação, podemos melhor chamá-la de “criatividade”, deve ser reservada para os momentos de real necessidade, uma vez que seus resultados podem ou não ser iguais aos esperados.

Procure ir ao local, se possível, em um dia diferente do dia do evento, para ter mais liberdade de observar e planejar com calma o setup da aparelhagem a ser montada. Ou, pelo menos, no mesmo dia, mas algumas horas antes do seu início. A pressa, estamos cansados de saber, é inimiga da perfeição e, poderíamos acrescentar, amiga do conhecido Murph, cujas leis insistem em se fazerem presentes nessas horas. Mesmo assim, não se esqueça de estar prevenido para surpresas como uma ruidosa fábrica ao lado do local do evento, que não estava em atividade no dia da primeira visita à locacão…

Apesar das baterias normalmente utilizadas nas câmeras – hoje em dia de longa duração – eventualmente pode ser necessária uma tomada de energia disponível para funcionar algum aparelho destinado ao som (além, é claro, da luz, que deixaremos aqui de lado). Por exemplo um mixer: apesar de existirem modelos que trabalham com baterias, muitos deles funcionam somente plugados em tomadas. É bom verificar sempre a voltagem, nunca é demais lembrar, principalmente se o aparelho não for do tipo que se adapta automaticamente à diversas voltagens. A questão da tomada aliás envolve diversos cuidados: proximidade ou não da aparelhagem, necessidade ou não de extensões, distância a ser percorrida, fixação ao solo do cabo de energia em trechos por onde transitam pessoas, tipo de pinagem da tomada (2 pinos, 3 pinos, do tipo chato ou triangular, etc…) e, importante, a certificação de que a energia estará disponível nessa tomada no dia e hora do evento. E mais ainda: ela será de uso exclusivo seu ou será repartida com alguém? Isso sem falar em uma providência inocente, mas que pode causar surpresas desagradáveis: testar a tomada – não se pode confiar em qualquer informação recebida. A tomada pode até existir na parede, mas estar sem fiação alguma, ou estar desativada… sim, acontece…. portanto, não basta ver a tomada na parede, é necessário testá-la também…

A seguir a questão é: como o som vai ser captado, ou seja, com qual ou quais microfones? Como as variáveis são muitas, vamos nos ater ao nosso exemplo, da apresentação dos músicos. Se você vai registrar o evento com uma só câmera e o som é muito importante para o seu trabalho – irá gerar DVDs para os alunos por exemplo, a pior situação é depender somente do microfone da câmera (ou preso acima dela), especialmente se você ficar distante dos teclados. OK, a imagem vista através do zoom ajustado para teleobjetiva, com a câmera no tripé colocado no fundo do restaurante é perfeita, no entanto junto com ela virão todos os comentários das pessoas nas mesas ao redor, os ruídos dos talheres e dos garçons em seu trabalho e como “música de fundo” o som (que deveria ser o principal) dos alunos tocando.

Isto não se deve à qualidade do microfone propriamente dito, que nas câmeras mais recentes é muito boa (microfone tipo condensador) e sim ao seu posicionamento, longe do local onde a ação se desenrola. Mesmo utilizando um microfone do tipo shotgun na câmera, conforme a distância, os sons indesejados próximos e ao lado dele podem quase não serem registrados, mas ainda assim a situação não será a ideal. De maneira geral, quanto mais perto a fonte sonora estiver de um microfone, melhor será o som captado. Outro problema: em algumas câmeras, principalmente as mais simples e mesmo em algumas do segmento semi-profissional, ruídos decorrentes de sua operação (motor do zoom por exemplo) podem ser captados. Em determinados modelos até o deslizar dos dedos da mão no controle dos botões pode acabar indo para a trilha sonora, principalmente em momentos de maior silêncio na cena. Assim, para captar com toda clareza o som de uma fonte sonora, o microfone deve estar o mais próximo possível da mesma, o que nem sempre corresponde à melhor posição para a câmera. Isto leva à uma mudança no posicionamento da mesma ou então ao uso de um microfone externo, com ou sem fio.

No primeiro caso, é possível trabalhar bem próximo dos alunos tocando: com o ajuste do zoom na posição máxima de grande-angular e o foco “travado” em uma região suficiente para que tudo fique perfeitamente nítido, o operador da câmera terá liberdade suficiente para trabalhar no local, deslocando-se sem nunca se afastar muito dos teclados. Em princípio, nessa situação o microfone da câmera poderá ser usado sem maiores problemas. O que poderá ocorrer será uma variação na intensidade do sinal registrado, quando o operador aproximar-se muito dos teclados em alguns momentos, e afastar-se em outros. No entanto, o problema poderá ser resolvido na fase de pós-produção, com uma equalização do volume da trilha sonora efetuada no micro durante a edição.

No segundo caso – uso de um microfone com ou sem fio, algumas considerações devem ser feitas. A primeira delas: qual vai ser a origem da captação do som? Ou seja, existirá um cabo (ou transmissão sem fio) conectando a câmera a um microfone na outra ponta, ou esta ponta será plugada na saída de um sistema de som?

Primeira situação: com um microfone na ponta. Aqui, a preocupação é com o seu posicionamento; deve ser colocado, preso em um tripé próprio, localizado próximo da fonte sonora, ou seja, dos alto-falantes dos teclados, na suposição que existam no local 3 desses teclados. No entanto próximo não significa aqui muito próximo e sim a uma razoável distância, em torno de 2 metros por exemplo. Mas não ficaria melhor um pouco mais perto? Ou então um pouco mais longe? Isso leva a uma outra regra de ouro na captação do som, principalmente com o uso de microfones externos: a utilização de fones de ouvido conectados à câmera. Aliás, “conectados à câmera” não é um pleonasmo: se entre o microfone e a câmera existirem equipamentos como mixers de áudio e conexões de cabos entre eles, é grande o risco de haver algum problema de conexão pelo caminho ou outro qualquer que afete o sinal de áudio. Assim, conectar o fone de ouvido na saída desse mixer é um erro – o problema poderia estar adiante dele. Com a monitoração feita através dos fones, o microfone pode ser adequadamente posicionado após algumas tentativas (e erros).

Se a sua câmera permitir, será possível controlar manualmente o volume do som gravado – sempre através da monitoração. Neste caso, é desligada a função AGC (Automatic Gain Control) da câmera, o procedimento automático de ajuste de volume que tenta sempre manter o mesmo volume sonoro, amplificando o sinal do áudio quando necessário.

A entrada de microfone da câmera pode ser do tipo XLR (câmeras profissionais e algumas semi-profissionais) ou do tipo mini-plug estéreo. Se for XLR existirão duas entradas deste tipo na câmera, se for mini-plug por ser estéreo haverá também a entrada de dois sinais, o esquerdo e o direito. E aqui existe um detalhe: não existe a rigor “microfone estéreo”, todo microfone é mono. Sim, é verdade, você já ouviu falar em “microfone estéreo”, mas trata-se na verdade de dois microfones mono montados em um único conjunto. Na realidade a questão é mais de terminologia: a cápsula que capta o som é única, uma para o lado esquerdo, outra para o direito, formando assim as duas pistas da trilha sonora estéreo. Nas câmeras compactas do segmento consumidor, aquela grade do microfone esconde duas cápsulas de captação, uma mais à esquerda e outra mais à direita da câmera. E o som dos microfones fixados externamente à câmera (geralmente do tipo shotgun) é geralmente distribuído para os dois canais – em alguns modelos de câmeras é possível conectá-lo a um canal ou a outro separadamente.

Essa história tem implicações no momento da conexão do microfone externo: o mini-plug mono existente na ponta do cabo do microfone fará, ao ser conectado à câmera, com que o som seja igualmente distribuído para os dois canais. Mas é possível utilizar dois microfones conectados a um cabo Y e transmitir este sinal através de um cabo estéreo com mini-plug estéreo na ponta. A sua conexão manterá os dois sinais separados na câmera. No caso das entradas XLR, basta conectar um microfone a cada uma dessas entradas. Isso tudo para dizer que podem ser utilizados um ou dois microfones junto aos teclados. E sim, é possível colocar mais microfones, mas nesse caso torna-se necessário o uso do mixer. Aliás, mesmo para dois microfones o mixer pode ser usado, direcionando o sinal para a câmera através de um cabo mono (no caso do mini-plug) ou de um único cabo (diz-se balanceado) no caso do XLR.

Segunda situação: cabo plugado no sistema de som. Neste caso, alguns cuidados devem ser tomados – além, é claro, de obter permissão com o pessoal responsável pela mesa de som para seu uso. Deve ser observado que normalmente o tipo de saída utilizado nas mesas de som é do tipo “linha” (line level) que possui intensidade de voltagem muito maior do que o sinal de microfone (mike level) que a sua câmera está esperando. Algumas mesas possuem opção de gerar um sinal de saída tanto do tipo line como do tipo mike level. No entanto, como na maioria delas a saída é do tipo line level , se esta saída for conectada na entrada de microfone externo da câmera o resultado será um sinal distorcido. A solução é utilizar um dispositivo chamado atenuador, encontrado em lojas de eletrônica. Este dispositivo, colocado entre o sinal gerado pela mesa a entrada de microfone externo da câmera diminui a voltagem do sinal, de forma a não causar distorção quando o mesmo é registrado pela câmera.

Bem, os alunos estão ainda neste momento ensaiando e fazendo seus últimos ajustes, assim, na próxima parte continuaremos com a sequência desse assunto. Até lá !!

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