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Câmera e imagem · Eventos corporativos e casamentos

Moiré: por que a camisa listrada estraga a imagem

Aquele arco-íris tremido no terno do palestrante não é defeito da câmera nem da transmissão. É a listra mais fina do que o sensor consegue desenhar, e dá para contornar ao vivo e antes do evento.

Lente diante de um tecido listrado, o tipo de padrão que pode virar moiré.
Lente diante de um tecido listrado, o tipo de padrão que pode virar moiré.

O palestrante entra de terno risca de giz. Na tela, o paletó ganha ondas coloridas que tremem quando ele se mexe. A equipe conclui que a câmera está com defeito, ou que a transmissão está comprimindo demais.

Não é uma coisa nem outra. Isso é moiré, e na camisa a causa está na captura.

O que está acontecendo

O sensor da câmera desenha a imagem numa grade de pontos. Quando a listra da roupa é mais fina do que essa grade consegue registrar, a câmera não tem como reproduzi-la. Ela erra, e o erro aparece como faixas largas que não existem no tecido.

É o mesmo desenho que surge quando duas telas de mosquiteiro ficam uma sobre a outra.

Por que treme e por que fica colorido

A faixa falsa é muito maior que a listra. Quando a pessoa se mexe um pouco, a faixa anda bem mais do que o tecido andou e corre pela roupa inteira. Por isso a camisa parece viva no vídeo e normal no salão.

A cor vem do jeito que a maioria das câmeras de sensor único enxerga. Cada ponto do sensor recebe uma cor só. Metade dos pontos é verde, um quarto é vermelho e um quarto é azul. O vermelho e o azul são amostrados em menos pontos e erram primeiro, e o moiré muitas vezes vem com cara de arco-íris.

Onde ele costuma aparecer

  • Camisa de listra fina e terno risca de giz
  • Xadrez miúdo e pied-de-poule
  • Telão de LED filmado de perto
  • Persiana, grade ou cerca ao fundo

Metade da lista é roupa, e é a metade que dá para resolver antes do evento. Por isso as emissoras costumam orientar o figurino de quem vai aparecer.

Como contornar ao vivo

Mexa no zoom, na distância ou no ângulo. O moiré depende do tamanho que a listra ocupa na imagem. Mudando o quadro, a faixa muda e muitas vezes some. Não é garantido, e às vezes piora, então confira no preview em tela cheia antes de pôr a câmera no ar.

Tire o fundo de foco. Funciona bem para persiana, grade e telão atrás de quem fala. Em quem fala, não. Aí a saída é o quadro, o ângulo ou a roupa.

Teste antes de começar. Ponha a pessoa no lugar, com a roupa do dia, e confira a imagem na câmera que vai usar.

Antes do evento

A orientação de figurino resolve o problema na origem. Peça para evitar listra fina, risca de giz, xadrez miúdo e pied-de-poule. Liso é o mais seguro, mas não é garantia. Tecido de trama muito fechada também pode dar moiré de perto. Se tiver padrão, que seja discreto e de pouco contraste. Na dúvida, teste na câmera.

E o equipamento?

Existe um componente chamado filtro óptico passa-baixa (OLPF), que fica na frente do sensor e suaviza os detalhes finos demais antes de eles chegarem lá. Ele troca um pouco de nitidez por menos moiré, e algumas câmeras abrem mão dele para ganhar nitidez.

O jeito de transformar o sensor em vídeo também pesa. Câmera que lê o sensor inteiro e reduz a imagem com bom filtro (oversampling) sofre menos. Câmera que pula linhas do sensor para gravar vídeo sofre mais. Nenhuma fica imune.

O que não resolve é subir o bitrate, trocar o cabo ou a placa de captura. O desenho já sai da câmera assim, e a compressão ainda pode deixar a faixa mais feia.

O moiré também pode nascer depois, quando a imagem é reduzida no caminho, no quadrinho do multiview ou na live em resolução menor que a da câmera. Para saber de onde vem, confira a imagem em tela cheia, no monitor da câmera ou num monitor como o Video Assist 7" 12G HDR, e não só no quadrinho do multiview. Se ali a camisa está limpa, o problema está no redimensionamento, e não no figurino.

O caso do telão

Telão de LED de perto e em foco é receita de moiré, porque a grade de LEDs encontra a grade do sensor. Algumas coisas costumam ajudar.

  • Afastar a pessoa do telão
  • Abrir a íris para o telão ficar macio, compensando com filtro ND se a imagem clarear demais
  • Recuar a câmera e compensar no zoom
  • Mudar o ângulo da câmera

Na hora de escolher o telão, pitch menor ajuda.

Telão tem ainda um problema diferente do moiré: faixas escuras que rolam pela tela, quando a atualização do painel e o obturador da câmera não combinam. Aí o primeiro ajuste é o obturador da câmera, até as faixas sumirem. Se não bastar, o limite está no painel. Telão próprio para câmera tem taxa de atualização alta, na faixa de 1.920 Hz ou mais.

Se a sua operação filma telão com frequência, ou cobre evento corporativo onde ninguém controla o figurino, fale com um consultor sobre a escolha de câmera. É uma característica que quase não aparece na ficha técnica e aparece toda semana na tela.

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